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Coropuna, 6.425m: A ascensão ao vulcão mais alto do Peru

Coropuna, 6.425m: A ascensão ao vulcão mais alto do Peru

Pedro HauckVulcão Coropuna o mais alto do Peru

Chegar ao fim de uma grande expedição andina traz um misto de exaustão e reverência profunda. O fechamento oficial da nossa Expedição Vulcões de Arequipa se deu nas encostas imensas e gélidas do Nevado Coropuna (6.425m). Ele não é apenas o ponto mais alto do sul do Peru, mas também o maior e mais massivo complexo vulcânico do país. Uma montanha de isolamento absoluto, onde a logística é um quebra-cabeça e o frio da altitude não oferece margem para erros.

Pedro HauckAcampamento base do Coropuna, Peru

Nossa investida levou quatro dias intensos entre a saída e o retorno a Arequipa. Na primeira noite, quebramos a longa viagem em Chuquibamba, uma cidadezinha simples, acolhedora e pacata, alcançada após rodar por uma estrada cujas curvas sinuosas parecem testar a paciência do viajante antes mesmo de a caminhada começar. No dia seguinte, nossa caminhonete 4×4 nos deixou no ponto de partida para montarmos o acampamento base diretamente na cota dos 5.370m de altitude. Dali para a frente, o jogo seria decidido no gelo.

A Longa Madrugada Gélida

O relógio marcava 23h30 quando o acampamento despertou. À meia-noite em ponto, as cordadas romperam a escuridão rumo ao cume. Enfrentamos uma noite severamente fria, daquelas típicas das grandes altitudes peruanas: a água congelou completamente dentro das mochilas e o frio era tão cortante que parar por mais de dois minutos para respirar ou ajustar o equipamento significava começar a tremer. Era preciso manter o passo constante para gerar calor interno.

Pedro HauckO Amanhecer no Coropuna

Apesar do castigo térmico, a noite estava espetacularmente linda. Sob um céu estrelado de altitude, progredimos com foco absoluto. A engrenagem da nossa equipe de guias precisou girar com precisão. Enquanto a querida Maria se despedia da expedição para retornar a Curitiba, contamos com o reforço providencial do Wellington (Well), nosso guia que estava liderando um grupo no exigente trekking do Huayhuash e cruzou o país até Arequipa para somar forças conosco nessa reta final.

Após dez horas de um esforço hercúleo, cruzando as rampas de neve e a imensidão do platô superior, às 10h da manhã pisamos no cume verdadeiro do Coropuna. A recompensa foi uma estatística rara para uma montanha dessa magnitude: 100% de sucesso. Todos os clientes que saíram do acampamento base assinaram o livro de cume. Ver a emoção no rosto de cada um deles, no topo do maior vulcão peruano, justificou cada gota de suor da temporada. Destaque para nossa querida Cecilia Rainone que chegou a seu décimo cume diferente acima dos 6 mil metros e eu que cheguei no meu seis mil andino de número 70!

Pedro HauckNo cume do Coropuna

Retornamos ao campo base no final da tarde, exaustos, e imediatamente descemos de volta para o refúgio acolhedor de Chuquibamba. Aquele pequeno e simples hotel, com uma cama quente e um banho morno, foi um verdadeiro deleite para o corpo após um ataque tão puxado.

O Oráculo de Gelo e a Memória de um Companheiro

O Coropuna é uma montanha cercada de misticismo. Na era pré-colombiana, ele era considerado o Apu mais sagrado do Império Inca e funcionava como o principal oráculo do reino; os Incas acreditavam que as almas dos mortos habitavam suas geleiras eternas antes de seguir viagem.

Para nós, do montanhismo brasileiro, essa mística ganhou um significado doloroso e real recentemente. Esta ascensão é integralmente dedicada à memória de Marcelo Delvaux. Em 2024, Marcelo, um dos montanhistas mais experientes e obstinados do Brasil, partiu no Coropuna enquanto tentava abrir uma nova e ousada rota solo na face norte da montanha, vindo a falecer após uma queda em uma greta. Estar naquele cume, olhando a imensidão branca que ele tanto amava, foi a nossa forma de honrar o seu legado e manter viva a memória de um irmão de cordada que dedicou sua vida à exploração dos Andes.

O Fim que é um Recomeço: Rumo ao Ampato

A expedição oficial dos Vulcões de Arequipa se encerra aqui, com cinco cumes fantásticos na bagagem. No entanto, a montanha sempre chama por um pouco mais. O cansaço é real, mas a aclimatação do grupo atingiu o ápice. Por isso, decidimos esticar a nossa permanência na região. Ficarei em Arequipa com alguns clientes remanescentes para tentar erguer uma quarta bandeira acima dos 6 mil metros nesta temporada: o imponente Vulcão Ampato (6.288m).

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O corpo pede descanso, mas o espírito andino continua cobrando a sua cota de altitude. A jornada no Peru ainda reserva o seu último ato.

Fonte: TURISMO.IG.COM.BR

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