6 diferenças culturais entre China e Brasil

6 diferenças culturais entre China e Brasil

Reprodução / IA6 diferenças entre China e Brasil

Viajar para a China não é apenas conhecer cidades, templos, arranha-céus e paisagens completamente diferentes daquelas que estamos acostumados a ver no Brasil. É também se deparar diariamente com hábitos que, para nós, podem parecer curiosos ou até causar um verdadeiro choque cultural. Depois de passar praticamente um mês aqui na China, pela segunda vez, algumas dessas diferenças já começaram até a fazer parte da nossa rotina:

1. Arrotar em público
Essa foi uma das coisas que mais me chamaram atenção e, depois de um mês, posso dizer que eu praticamente me acostumei. Durante toda a viagem ouvi pessoas arrotando em restaurantes, estações, na rua e até dentro dos trens, inclusive em ambientes fechados e pequenos, com a maior naturalidade. No Brasil, provavelmente a primeira reação de quem arrota perto de outras pessoas seria tentar disfarçar ou pedir desculpas. Aqui, pelo menos na minha experiência durante essas viagens, percebi muito menos constrangimento em relação a isso. E é importante dizer: isso não significa que arrotar seja considerado um gesto de educação na China ou que todos os chineses façam isso. É simplesmente uma diferença de comportamento que acaba chamando bastante a atenção de quem vem do Brasil.

2. O banheiro de cócoras
E antes que alguém diga “mas esse banheiro não existe só na China”, eu sei. O chamado banheiro de cócoras também é encontrado em vários outros países da Ásia e em partes do Oriente Médio, do norte da África e até da Europa. Mas resolvi colocá-lo nesta lista porque viajei pela China com várias pessoas que estavam conhecendo o país pela primeira vez e praticamente todas estranharam quando abriram a porta de um banheiro público e encontraram esse modelo. Em vez de sentar, a pessoa utiliza o banheiro agachada, apoiando os pés nas laterais. Uma das razões para ele continuar muito presente em espaços públicos é justamente a percepção de higiene: como não existe contato do corpo com um assento utilizado por outras pessoas, muitos usuários consideram esse sistema mais higiênico. Além disso, é um modelo tradicional ao qual gerações de chineses cresceram acostumadas. Para o brasileiro que nunca viu um, porém, a primeira experiência costuma ser inesquecível.

3. O café da manhã pode ser uma das maiores dificuldades
Para mim, esse é um dos pontos mais difíceis de uma viagem pela China, principalmente para quem gosta daquele café da manhã mais parecido com o brasileiro. Aqui você pode acordar às sete da manhã e encontrar noodles, arroz, legumes, dumplings, sopas, ovos e vários outros pratos quentes que nós provavelmente associaríamos ao almoço ou ao jantar. É claro que hotéis mais internacionais costumam oferecer opções ocidentais, principalmente nas grandes cidades, mas quanto mais você entra na China e escolhe hotéis voltados ao público local, mais diferente o café da manhã pode ficar. Depois de alguns dias você entende que o estranho não é eles comerem aquilo de manhã; é simplesmente perceber que a nossa ideia do que é “comida de café da manhã” também é cultural.

4. Nunca deixe o hashi espetado no arroz
Tem também algumas diferenças que vão além do hábito e entram na simbologia. Uma delas é deixar os hashis espetados verticalmente dentro de uma tigela de arroz. Para nós isso poderia parecer apenas uma forma prática de apoiá-los, mas na cultura chinesa essa imagem é associada aos incensos utilizados em cerimônias e rituais relacionados aos mortos. Por isso, é um gesto que deve ser evitado à mesa. É uma daquelas situações interessantes em que você percebe que uma coisa aparentemente sem importância para um brasileiro pode carregar um significado completamente diferente em outra cultura.

5. O número 4 não é muito bem-vindo
Outra curiosidade está nos números. O número 4 é tradicionalmente associado à má sorte porque sua pronúncia em mandarim se aproxima da palavra “morte”. Por isso, dependendo do prédio, hotel ou empreendimento, você pode perceber adaptações na numeração de quartos ou andares. Já o número 8 está praticamente do outro lado dessa história: ele é associado à prosperidade e à boa sorte e, por isso, é bastante valorizado. Para nós pode parecer apenas superstição, mas é mais um daqueles detalhes culturais que começam a aparecer quando você passa mais tempo observando o cotidiano do país.

6. O celular praticamente resolve a sua vida inteira
Na China você paga, chama carro, pede comida, compra passagem, entra em atrações, faz reservas e resolve uma quantidade enorme de coisas pelo celular, normalmente através de aplicativos como Alipay e WeChat e de QR Codes espalhados por todos os lugares. E talvez você esteja se perguntando: “mas e os idosos, como fazem?”. O que precisamos lembrar é que essa transformação não aconteceu ontem. O Alipay existe desde 2004 e o WeChat Pay começou em 2013, e os pagamentos por celular já fazem parte do cotidiano chinês há muitos anos. Por isso, muitos idosos também já estão bastante acostumados a utilizar QR Codes e pagamentos pelo telefone, embora, evidentemente, ainda existam pessoas que tenham dificuldades com a tecnologia. Para quem chega do Brasil, o mais impressionante é perceber a naturalidade com que pessoas de diferentes idades utilizam o celular para praticamente tudo.

No fim, caros leitores, nenhuma dessas diferenças significa que um país esteja certo e o outro errado. Elas mostram justamente uma das coisas que mais gosto em viajar: perceber que muito daquilo que a gente chama de “normal” é simplesmente aquilo com que crescemos acostumados. Depois de um mês na China, algumas coisas que me chamavam atenção nos primeiros dias já passam despercebidas. E talvez seja exatamente aí que você percebe que começou, de verdade, a entender um pouco mais daquela cultura.

Fonte: TURISMO.IG.COM.BR

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