Uma escapada para o Parque Nacional da Serra do Gandarela

Uma escapada para o Parque Nacional da Serra do Gandarela

Marcela Gonzaga/iGPoço do Tonhão – Serra da Gandarela (MG)

O calor anda beirando o insuportável em Belo Horizonte, onde eu moro, e foi daqui que decidi fugir e buscar algumas horas em contato com a natureza. Arrumei o carro e fui ali pertinho, naquele espírito bem mineiro e desembarquei em Raposos (MG), que fica  apenas 40 minutos do centro da capital mineira.

A rotina acelerada rapidamente dá lugar ao silêncio das montanhas e ao som de  águas cristalinas Um passeio leve, perto de casa, mas capaz de renovar completamente as energias. Isso eu garanto. 

Meu destino foi o Parque Nacional da Serra do Gandarela. Criado em 13 de outubro de 2014, ele é um dos parques nacionais mais novos do país e preserva um santuário ecológico valioso no coração do Quadrilátero Ferrífero e na porção sul da Cadeia do Espinhaço.

Marcela Gonzaga/ iGSerra do Gandarela (MG)


É nesse cenário e diga-se, quase o emprego perfeito, que atua Tauan Fróes, economista de 34 anos formado pela PUC Minas, nascido e criado em Raposos e fundador da iniciativa Mar de Morro – Ecoturismo Consciente. Ele, há mais de seis anos conduz visitantes pelas trilhas do parque. 

Aproveito os momentos em que o visitante está no território, vendo toda a exuberância e a abundância de água, para fazer uma provocação socioambiental. O Parque Nacional nasceu da mobilização popular em 2014, e a pressão da sociedade continua sendo o fator determinante para barrar megaprojetos de mineração que ameaçam o ecossistema e a segurança hídrica da região metropolitana de BH. Tauan Fróes, economista e guia turístico

Mais do que impulsionar a economia das pequenas cidades vizinhas ao atrair viajantes e movimentar serviços locais, as expedições pelo Gandarela cumprem um papel educativo importantíssimo. Elas aproximam o público da realidade das nascentes e evidenciam a necessidade urgente de proteger esse patrimônio natural. :

Passar um dia desconectado do celular, ouvindo o barulho da água, traz um retorno profundo para a saúde física e mental. Mas o principal propósito é dar visibilidade a esses conflitos para que mais pessoas entendam que preservar o Gandarela é garantir a qualidade de vida do nosso futuro. Taun Fróes, economista e guia turístico


Um gigante de contrastes e águas puras

Na escola aprendi um apelido carinhoso do parque da Gandarela: “A Caixa D’Água de Belo Horizonte”, já que grande parte do abastecimento da capital e de municípios vizinhos depende das nascentes dessa região. 

Mas como sabemos, nem tudo são flores e mesmo um lugar que abriga esse patrimônio hídrico, o parque enfrenta discussões intensas sobre a demarcação de sua área e convive lado a lado com a atividade mineradora de ferro. E o que me chamou muita atenção foram os caminhos que passamos, já que as próprias estradas que facilitaram nosso acesso, foram abertas e sinalizadas pelas mineradoras.  

Tauan FróesCachoeira do Maquiné na Serra do Gandarela


A paisagem é marcada por encontros e transições fascinantes:

Não é bem assim na vida real

Oficialmente, os dados de controle de 2019 apontavam pouco menos de 2 mil visitantes no anoum número bem abaixo da realidade e que passa por processos de retificação. Por não ter uma portaria única nem cobrança de ingresso, o movimento real é muito maior. Atravessando os acessos por Raposos e Rio Acima, moradores locais e turistas lotam em feriados e fins de semana atrativos populares como o Circuito das Banquetas e as cachoeiras de Santo Antônio, do Índio e do Viana.

Trilhas, cachoeiras e ecoturismo consciente

Voltando a nossa jornada, andamos cerca de 6 km (ida e volta) que passou por dois pontos imperdíveis:

A região de Raposos ainda reserva outras surpresas, como a Cachoeira do Sol, o deslumbrante Poço Azul e belos mirantes no topo da serra. 

É um passeio rápido, super possível fazer um bate-volta de Belo Horizonte e que esconde as maravilhas dos morros mineiros. Vale muito a pena e vale voltar várias vezes para conhecer essa imensidão de riquezas do Gandarela. 

Dicas para a sua visita

O Parque Nacional da Serra do Gandarela não possui infraestrutura receptiva (como lanchonetes ou centros de visitantes), por isso o planejamento é indispensável:

Fonte: TURISMO.IG.COM.BR

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