Suzuki GT 750: quem brigou com as grandes cilindradas nos anos 70

Acervo pessoal/Gabriel Marazzi O forte da Suzuki GT 750 era o alto nível de acabamento

Se os anos 60 foram pródigos em lançamentos de novas motocicletas, com novíssimas ideias – leia-se “as japonesas” –, a década seguinte foi decisiva em experimentar e consolidar novas tecnologias. Assim, enquanto a Honda CB 750 Four, apresentada mundialmente em 1968, marcava uma nova etapa na indústria motociclística, as marcas concorrentes buscavam outras formas de também surpreender.

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Eu já contei aqui como a Kawasaki Z1 desbancou a pioneira do pedestal da tecnologia dos quadricilíndricos, só não abocanhando seu mercado devido ao maior custo de produção, mas há uma outra pioneira que, por sua vez, também surpreendeu o segmento das altas cilindradas, tornando-se objeto de desejo. É a Suzuki GT 750, tricilíndrica apresentada no Salão de Tóquio de 1970, lançada em 1971 e comercializada apenas a partir de 1972.

Suzuki Acervo pessoal/Gabriel Marazzi O grande radiador de água do sistema de refrigeração era o maior atrativo da GT

Os grandes motores dois tempos de três cilindros já eram bem conhecidos nas ferozíssimas Kawasaki Série H, a H1, de 500 cm3, e, posteriormente, a H2, de 750 cm3, mas a nova Suzuki trazia muito mais do que desempenho, pois era absolutamente mais moderna, visualmente falando, e vinha com uma novidade que fascinou o seu público: a refrigeração a água.

 

Suzuki Acervo pessoal/Gabriel Marazzi Painel de instrumentos com indicador digital de marchas e relógio de temperatura

Aquele enorme radiador à frente do motor, que trocava as aletas de refrigeração por cilindros de laterais lisas, com o icônica inscrição “Liquid Cooled”, era realmente interessante. E a novidade não era apenas mercadológica, já que amenizava o constante problema de superaquecimento do cilindro central.

 

 

Suzuki Acervo pessoal/Gabriel Marazzi O inexplicável: duas pedaleiras para o garupa

O funcionamento do tricilíndrico era muito parecido com o das outras motocicletas similares, mas o ronco e a vibração característica não deixava de sempre lembrar os automóveis DKW, que também tinham motor tricilíndrico dois tempos. A presença da água como elemento refrigerante funcionava também como uma barreira de ruídos, em especial a “batida de saia” característica dos dois tempos, de forma que a Suzuki GT 750 era extremamente silenciosa.

Suzuki Acervo pessoal/Gabriel Marazzi Os cilindros lisos, sem aletas de refrigeração, dava um aspecto tecnológico ao motor

A primeira versão da motocicleta tinha freio dianteiro a tambor e pode ser reconhecida também pelas ponteiras pretas nos quatro escapamentos. A potência não era muita para um dois tempos com essa cilindrada, 67 cv, a mesma da CB 750 Four, mas o torque e a rapidez com que a rotação subia ao girar o acelerador, uma característica comum dos motores dois tempos, era o grande segredo do alto desempenho da moto.

Suzuki Acervo pessoal/Gabriel Marazzi Quatro escapamentos, um para cada cilindro externo e dois para o cilindro interno

As versões seguintes tiveram muitas melhorias, como o duplo disco de freio dianteiro, a nova potência de 71 cv – graças à substituição dos carburadores Mikuni de 32 mm pelos de 40 mm – e o indicador digital de marchas no painel de instrumentos. Este, por sua vez, era ainda mais bacana do que o da Honda CB 750 Four, pois ostentava o relógio de temperature da água de refrigeração.

Assim como toda a família GT da Suzuki , a 750 primava pelo acabamento, bastante superior ao da Honda e muito próximo ao da Kawasaki Z1. Mas, como a Honda, era também trambolhuda para ser pilotada, grande, longa e pesada. Com relações de câmbio muito longas, seu melhor ambiente era mesmo a estrada, daí seu nome GT – Gran Turismo. A Suzuki GT 750 foi produzida até 1977.

Fonte: carros.ig.com.br/colunas/cultura-da-motocicleta/2020-08-28/suzuki-gt-750-quem-brigou-com-as-grandes-cilindradas-nos-anos-70.html