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Bruno Montaleone completa 30 anos e comemora ascensão no cinema

Bruno Montaleone completa 30 anos e comemora ascensão no cinema

Vitor DuarteNo Dia do Cinema Brasileiro, Bruno Montaleone celebra trajetória nas telonas

Nesta sexta-feira (19), o Brasil celebra oficialmente o Dia do Cinema Brasileiro, uma data que homenageia o pioneiro Afonso Segreto, responsável pelo primeiro registro de imagens em movimento realizado no país, em 1898, ao captar a chegada à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Mais de um século depois, a produção audiovisual nacional segue revelando novas histórias, talentos e gerações de artistas. Entre eles está Bruno Montaleone, que vem conquistando espaço expressivo nas telonas.

Embora sua trajetória cinematográfica ainda esteja nos primeiros capítulos, cada projeto marcou uma etapa importante de sua carreira. A estreia aconteceu em 2023 já com protagonismo, em “Perdida”, adaptação do best-seller de Carina Rissi. No longa, Bruno interpretou Ian Clarke, um aristocrata do século XIX que vive uma história de amor com Sofia, personagem de Giovanna Grigio. O papel trouxe a responsabilidade de dar vida a um personagem muito querido pelos leitores da obra original. O resultado agradou ao público, especialmente aos fãs da saga, e ajudou a estabelecer seu nome entre os jovens protagonistas da nova geração.

Dois anos depois, o ator, que está completando 30 anos na mesma data em que se comemora o Dia do Cinema Brasileiro, mostrou uma faceta diferente em “Homem com H”. No filme, Bruno interpreta Marco de Maria, ex-companheiro de Ney Matogrosso, em uma narrativa que acompanha momentos marcantes da vida do artista, incluindo o impacto da epidemia de AIDS e perdas afetivas profundas. O trabalho exigiu uma abordagem emocionalmente complexa, sendo apontado por muitos espectadores como um dos trabalhos mais sensíveis de sua carreira. O longa, que alcançou enorme público e recebeu elogios da crítica, acaba de conquistar 12 indicações ao prêmio Grande Otelo 2026.

Vitor DuarteBruno Montaleone


A trajetória nas telonas continua com “Encontrada”, sequência de “Perdida”, que marca o retorno de Bruno ao papel de Ian Clarke. Desta vez, o personagem surge em uma fase mais madura de sua vida, enfrentando novos desafios ao lado de Sofia e lidando com responsabilidades que vão além do romance idealizado que conquistou o público no primeiro filme. Para Bruno, o longa representa a oportunidade de reviver um personagem sob uma nova perspectiva.

Nas palavras do ator: “Eu gosto da ideia de revisitar um personagem em outro momento da vida. O Ian continua tendo sua essência, mas agora ele precisa lidar com questões mais complexas, e isso trouxe novas camadas para a interpretação.”

Em celebração à data, Bruno hoje compartilha cinco filmes nacionais que admira e considera essenciais para quem deseja conhecer diferentes facetas da cinematografia do país:

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

É um dos filmes mais acessíveis do Glauber Rocha. Ele tem obras fundamentais para a história do cinema brasileiro. A trama acompanha Manuel e Rosa, um casal de sertanejos que, fugindo da opressão de um coronel, passa a seguir o beato Sebastião e seus rituais messiânicos. Depois de uma tragédia, os dois acabam se juntando ao cangaceiro Corisco, o “Diabo Loiro”, enquanto são caçados por Antônio das Mortes, um matador de aluguel a serviço da Igreja e dos latifundiários. O que faz esse filme ser uma obra-prima, na minha opinião é a forma como o Glauber transforma essa jornada árida em uma ópera social. Ele mistura o cordel, o misticismo e a violência do sertão em uma linguagem visual revolucionária. É poesia pura em forma de cinema, um grito de revolta que mexe com a gente justamente porque transforma a nossa dor histórica em força estética.

 À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)

Sou muito fã do José Mojica Marins, o nosso eterno Zé do Caixão. Admiro muito o fato de ele ter lutado para fazer aquilo que amava: cinema de terror no Brasil. Como o terror é uma grande paixão minha, tenho um carinho especial pelo trabalho dele.

A história gira em torno desse coveiro sádico e niilista, o Zé do Caixão, que vive em uma cidadezinha do interior e tem uma obsessão de encontrar a mulher perfeita para dar continuidade à sua linhagem. O cara tripudia sobre as superstições locais e comete crimes contra quem cruza o seu caminho para alcançar esse objetivo. O que torna esse filme especial é a atmosfera de pesadelo que o Mojica conseguiu criar quase sem recursos. É um terror expressionista e corajoso.

Carandiru (2003)

Desde a primeira vez que assisti, esse filme me marcou. Ele foi essencial para trazer mais consciência coletiva sobre o que realmente aconteceu naquele massacre em 1992. O Hector Babenco conduz a narrativa a partir do olhar de um médico infectologista que vai ao presídio realizar um trabalho de prevenção ao HIV. Ali, através do contato humano, a gente passa a conhecer a realidade dos detentos, as regras de sobrevivência, as histórias de amor, crime e solidariedade que existiam dentro daquela panela de pressão, até culminar na invasão policial. Além disso, a produção tem atuações memoráveis de um elenco gigante e uma direção cirúrgica que equilibra o afeto do dia a dia com a brutalidade do desfecho. É um soco no estômago necessário.

Manas (2024)

É um filme que aborda um tema urgente e frequentemente ignorado pela sociedade, e faz isso com uma coragem e uma sensibilidade absurdas. Considero uma obra fundamental para o momento atual. A história se passa na região das ilhas da Amazônia e acompanha a Marcielle, uma jovem de treze anos que começa a entender a engrenagem de abuso e exploração sexual que sufoca as mulheres da sua própria família e da sua comunidade. Conforme ela amadurece, decide que não vai aceitar o mesmo destino que parecia traçado para ela. O que torna o filme tão impactante e brilhante é que ele não cai num melodrama simplório; a direção trata uma realidade dolorosa com dignidade e respeito pelas personagens. É um cinema de denúncia, e não à toa rodou o mundo e recebeu tanto reconhecimento merecido em diversos festivais internacionais.

Meu Nome Não É Johnny (2008)

Adoro esse filme! É uma história fantástica e muito envolvente, contada de uma forma incrivelmente leve, fluida e pop. Sempre que assisto, fico preso na tela do começo ao fim. Acompanhamos a trajetória do João Guilherme Estrella, um jovem de classe média alta do Rio de Janeiro que, quase sem perceber a gravidade da situação, começa a traficar drogas e acaba se tornando um dos maiores distribuidores do cartel carioca nos anos 80 e 90, até ser preso. O que faz essa produção ser tão boa é o ritmo frenético e a inteligência do roteiro. O filme consegue transitar entre a comédia, a euforia das festas e o drama da decadência e do confinamento sem perder o tom. A atuação do Selton Mello está espetacular, ele injeta um carisma no personagem que faz com que muita gente acabe torcendo pela redenção do cara. É o puro suco do cinema de entretenimento inteligente.

Cidade de Deus (2002)

Sempre estará no topo da lista dos meus favoritos da vida. Talvez tenha um componente pessoal aí, por eu ser do Rio de Janeiro. A história atravessa décadas da favela que dá nome ao filme, acompanhada pela narração do Buscapé, um jovem que usa a fotografia para tentar não ser engolido pela violência do tráfico que consome seus amigos de infância, como o Zé Pequeno e o Bené. O que torna Cidade de Deus uma produção que revolucionou e marcou o cinema brasileiro e mundial, para mim, é a sua energia técnica e narrativa. A montagem é ágil, a fotografia é impecável e a direção de atores, muitos jovens da própria comunidade, trouxe um nível de realismo, crueza e vitalidade que torna tudo ainda mais especial. 


Fonte: GENTE.IG.COM.BR

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