A guerra Rússia Ucrânia e suas consequências

Divulgação A guerra Rússia Ucrânia e suas consequências

A guerra, além da catástrofe humanitária acarreta a desintegração de processos produtivos que dependem do comércio.

A economia global é caracterizada hoje por cadeias globais de valor.

O processo produtivo é dividido em várias partes cada parte do processo é localizada geograficamente onde o processo é mais eficiente.

A cadeia de produção do aço e do alumínio, por exemplo, inclui extrair minério no Brasil processar o produto nos Estados Unidos, enviar de volta e produzir bens intermediários no Brasil e finalmente levar de volta aos Estados Unidos para uso em manufaturas e construção.

Tudo isso torna a noção de produto nacional complicado.

Quando o Trump quis aumentar os impostos de importação do aço e alumínio brasileiros os empresários norte-americanos que participam desse processo produtivo se opuseram à medida protecionista.

Quanto mais integrada as economias maiores os custos de interrupção das relações mais específicas.

Os cientistas políticos Joseph Nye e Robert Kechane formalizaram essa ideia na teoria da independência complexa que traz em seu centro a noção de que maiores relações de independência entre países tornam o uso da força militar extremamente caro.

Essa noção faz sentido lógico e esteve por trás da estratégia de aumento da integração europeia desde 1945.

França e Alemanha, inimigos históricos, integraram suas economias a ponto de tornar uma guerra contrária aos interesses nacionais.

Como a realidade na Ucrânia demonstra que a guerra ser custosa, não significa que ela é impossível.

Os que são diretamente impactados pela guerra são aqueles que comercializam com a Rússia e a Ucrânia.

A Ucrânia produz cerca de 40% do óleo de girassol, 17% do ferro semiprocessado, 10% do milho e 7% do trigo importado no mundo. já a Rússia produz 18% do trigo 18% do gás natural e 12% do petróleo importado no mundo.

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Países da África e da Ásia, como Egito, Turquia, Bangladesh, Indonésia, Filipinas e Tunísia importam muitos alimentos dos dois países. Países europeus importam deles quantidades relevantes de gás e eletricidade.

Quarenta e cinco por cento do gás importado pela Alemanha vem da Rússia, 35% do da Itália e 25% do da Espanha.

Consumidores e empresas nesses países terão de buscar novos fornecedores o que implica em aumento de custos relevantes.

Além disso eles também sofrem com custos indiretos que acometem a todos os países pois como há uma queda de oferta global desses produtos seus preços aumentam fortemente.

É por essa razão que o preço da gasolina aumentou globalmente e até no Brasil.

Parte importante do conflito tem-se desenrolado no plano das sanções. Há algumas semanas, a União Europeia e o G7 impuseram um aumento de 35 pontos percentuais no imposto de importação contra a Rússia.

Essa decisão acarreta custos tanto nos países que impuseram as ações quanto na Rússia. mas esses efeitos são maiores na economia russa.

Com base em um modelo matemático tenta se isolar o efeito das ações comerciais. Com essas estimativas o aumento do imposto de importação deve causar uma queda de 1% no produto interno bruto russo e perda temporária de 500 mil empregos. No ocidente esses efeitos são muito menores.

Apesar da integração comercial não ter evitado a guerra ela tornou muito mais custosa. isso guarda uma lição para o futuro.

Keynes alertou, após a primeira guerra mundial, que o fardo econômico causado pelas reparações do pós-guerra poderia levar a novos conflitos.

A solução seria investir na reconstrução e reintegração econômica justamente para aumentar os custos e reduzir a probabilidade de novos conflitos.

Após o que se viu foi história. Mas é importante compreender que os efeitos econômicos da guerra estão ligados às relações econômicas que sustentam a paz.

Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR