Por Flavisnei F. Favalessa
Quanto vale um segundo para você?
Para muita gente, talvez um segundo não pareça quase nada. É o tempo de piscar os olhos, de respirar fundo, de atender uma ligação ou de virar uma esquina. Mas, para outras pessoas, um único segundo pode significar a diferença entre a vida e a morte.
Foi exatamente isso que aconteceu no último sábado, 27 de junho, em Espigão do Oeste, quando policiais militares salvaram a vida de uma recém-nascida durante um atendimento de emergência no quartel da Polícia Militar, localizado na Avenida Sergipe, no bairro Caixa D’Água.
A pequena Maria Luiza Santos Pagung foi levada pelos pais até a unidade policial em uma situação desesperadora. A bebê estava engasgada e apresentava sinais de parada respiratória, conhecida como apneia. Para qualquer pai ou mãe, uma cena como essa é impossível de descrever. É medo, desespero, impotência e uma única esperança: encontrar alguém capaz de ajudar.
E eles encontraram.
Ao perceberem a gravidade da situação, policiais militares agiram rapidamente. Um deles iniciou as manobras de desobstrução das vias aéreas e conseguiu fazer com que a recém-nascida voltasse a respirar. Mesmo após a melhora inicial, a criança ainda precisava de cuidados, e a guarnição não perdeu tempo. Ela foi encaminhada ao Hospital Municipal de Espigão do Oeste, recebendo apoio e suporte durante todo o trajeto.
No hospital, a equipe médica assumiu o atendimento e constatou que, graças à rápida intervenção dos policiais, a bebê já não corria risco iminente de morte.
Esse não foi apenas mais um atendimento. Foi um ato de heroísmo.
E quando falamos em heroísmo, não estamos falando de algo distante, de filme ou de discurso bonito. Estamos falando de homens e mulheres reais, que vestem uma farda, saem de casa todos os dias sem saber o que irão enfrentar e, muitas vezes, precisam decidir em segundos o que fazer para salvar uma vida.
A Polícia Militar é lembrada, na maioria das vezes, pelo combate ao crime, pelas prisões, pelas abordagens, pelas ocorrências difíceis e pelos momentos de tensão. Mas existe uma outra parte desse trabalho que precisa ser mais reconhecida: a presença da polícia nos momentos em que a população mais precisa de ajuda.
Em Rondônia, casos assim não são isolados. Policiais militares já auxiliaram vítimas de acidentes, socorreram pessoas em crises, ajudaram famílias em situação de vulnerabilidade, salvaram crianças, idosos e trabalhadores em momentos de emergência. Muitas dessas ações sequer ganham grande destaque, mas fazem enorme diferença na vida de quem foi atendido.
Por isso, talvez esteja na hora de refletirmos sobre a forma como apresentamos a polícia para nossas crianças.
Quantas vezes pais e mães, sem perceber, dizem aos filhos: “Se você fizer arte, vou chamar a polícia”? Essa frase, tão comum no dia a dia, pode parecer simples, mas ajuda a construir uma imagem de medo, como se o policial existisse apenas para punir.
Mas a verdade é outra.
A Polícia Militar também está ali para proteger, orientar, acolher e salvar. Está presente quando alguém liga pedindo socorro, quando uma família não sabe mais o que fazer, quando uma criança está em risco, quando um acidente acontece, quando a vida depende de uma resposta rápida.
Precisamos ensinar nossos filhos que o policial não deve ser visto como ameaça, mas como alguém que pode ajudar quando for necessário. Precisamos formar uma nova geração que entenda a importância da segurança pública e reconheça os policiais militares como protetores da sociedade.
Isso não significa deixar de cobrar, fiscalizar ou exigir uma polícia cada vez mais preparada e humana. Pelo contrário. Significa reconhecer o valor daqueles que cumprem sua missão com responsabilidade, coragem e compromisso com a vida.
No caso da pequena Maria Luiza, um segundo fez toda a diferença. A decisão rápida, o preparo técnico e a coragem dos policiais mudaram o desfecho de uma história que poderia terminar em tragédia.
E é por isso que esse episódio merece ser contado, lembrado e valorizado.
Porque, naquele sábado, em Espigão do Oeste, a farda representou socorro. Representou esperança. Representou vida.
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