Imagem gerada por IA – iGMicroplásticos no sistema reprodutivo: cientistas encontraram material tóxico no sêmen, fluido folicular, placenta, líquido amniótico, cordão umbilical, sangue materno e mecônio
Os microplásticos já foram encontrados em pulmões, no cérebro, no fígado, nos ovários, na placenta e até no mecônio, nome dado às primeiras fezes do bebê. Agora, uma sequência de pesquisas começa a associar a frequente exposição humana aos plásticos com alterações na fertilidade, sobretudo na qualidade do sêmen e em etapas da reprodução assistida.
Para entender os impactos das substâncias do plástico, é preciso observar o efeito sobre a reprodução. Essas substâncias estão tornando muito mais difícil para nós nos reproduzirmos. É um problema sistêmico global muito sério. Shanna Swan, epidemiologista reprodutiva (ao The Guardian)
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Um estudo publicado neste ano na renomada revista científica Human Reproduction reuniu 28 pesquisas com 2.109 participantes. Dentre todos os elementos reprodutivos, os autores encontraram microplásticos no sêmen, no fluido folicular, na placenta, no líquido amniótico, no cordão umbilical, no sangue materno e no mecônio. No grupo dos homens, três trabalhos independentes estabeleceram uma relaçã o entre uma maior quantidade de partículas de plástico no plasma seminal e a redução da motilidade dos espermatozoides.
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Já em mulheres submetidas à reprodução assistida, duas pesquisas diferentes observaram taxas menores de fertilização quando havia mais microplásticos no fluido que envolve os óvulos. Apesar das associações, os pesquisadores ressaltaram que os dados ainda não demonstram causa e efeito prático.
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Alvo de pesquisa nas universidades mais prestigiadas do mundo, a contaminação por microplásticos também é acompanhada pela Escola de Saúde Pública de Harvard. Os médicos especializados Shruthi Mahalingaiah, Kari Nadeau e David Christiani assinaram o artigo “Microplastics and Human Health”, publicado há alguns meses no The Journal of the American Medical Association (JAMA), um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo.
Nossos órgãos reprodutivos não são uma barreira impenetrável. Shruthi Mahalingaiah, endocrinologista reprodutiva
Imagem gerada por IA – iGContaminação por microplásticos ocorre principalmente por ingestão (água e comida) e inalação
No estudo, os cientistas chamaram atenção para a presença crescente de micropartículas e compostos do plástico capazes de interferir no chamado sistema endócrino, responsável pela produção de hormônios essenciais à reprodução.
Partículas chegam ao corpo pelo ar e pela alimentação
Imagem gerada por IA – iGA inalação de micropartículas dos pneus de carros causa contaminação
Por definição, os microplásticos são fragmentos menores que 5 milímetros, que podem ser produzidos já nessa escala ou surgir da degradação de embalagens, garrafas, tecidos sintéticos e outros produtos. Segundo os professores de Harvard, a exposição ao material tóxico ocorre principalmente pela inalação e pela ingestão. A contaminação pode ocorrer pelo contato com a poeira doméstica, pneus, roupas de poliéster, água, bebidas e embalagens.
Eles estão no ar que respiramos e na água que bebemos. Shanna Swan, epidemiologista reprodutiva
Imagem gerada por IA – iGContaminação por microplásticos ocorre principalmente por ingestão (água e comida) e inalação
A preocupação aumenta ainda mais quando as micropartículas chegam aos órgãos reprodutivos. Um estudo citado pela instituição americana encontrou microplásticos em 60% das placentas analisadas em 2006, chegando aos 90% em 2013 e atingindo 100% das amostras em 2021. Ademais, a quantidade de partículas por 50 gramas de tecido chegou a triplicar no período, com associações entre a contaminação e menores concentrações e quantidades dos espermatozoides.
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Outra revisão, publicada em abril na revista Emerging Contaminants, examinou 177 estudos sobre poluentes e estressores ambientais em diferentes espécies de animais. O trabalho, liderado por Susanne Brander, da Oregon State University, encontrou evidências de prejuízos reprodutivos associados a microplásticos, ftalatos, PFAS e outros contaminantes.
Você não está exposto a apenas um, mas a dois estressores ao mesmo tempo, e ambos podem afetar sua fertilidade. Susanne Brander
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Fonte: ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR

