Canetas emagrecedoras não resolvem obesidade sozinhas

Canetas emagrecedoras não resolvem obesidade sozinhas

Acervo Pessoal / DivulgaçãoDra. Sarina Occhipinti explica por que metabolismo, comportamento e preservação muscular também precisam ser considerados no tratamento

A chegada de novos medicamentos mudou o tratamento da obesidade e colocou as chamadas canetas emagrecedoras no centro das discussões sobre perda de peso. Mas, enquanto os resultados obtidos com essas terapias despertam atenção, médicos também enfrentam uma questão que não desaparece com a prescrição: como fazer o paciente aderir ao tratamento e manter os resultados no longo prazo?

Para a Dra. Sarina Occhipinti, médica com mais de 30 anos de atuação nas áreas de obesidade, metabolismo, hormônios e longevidade, tratar uma doença multifatorial exige olhar além do medicamento.

A resposta de cada paciente pode envolver características metabólicas, composição corporal, alimentação, comportamento, rotina e capacidade de incorporar mudanças que possam ser sustentadas depois dos primeiros resultados.

Nesse cenário, a medicação passa a ser uma das ferramentas disponíveis, e não necessariamente a única resposta.

Emagrecer é diferente de tratar obesidade
A diferença pode parecer pequena, mas muda a maneira como o acompanhamento é conduzido.

A redução do peso é um dos resultados esperados, enquanto o tratamento da obesidade envolve também avaliar fatores associados à doença, acompanhar a evolução clínica e construir estratégias individualizadas.

Para Dra. Sarina, um dos desafios está justamente em evitar que o tratamento seja resumido à balança.

Isso porque pacientes podem responder de maneiras diferentes à mesma estratégia. Histórico clínico, alterações metabólicas, alimentação, nível de atividade física e outros fatores precisam ser avaliados antes e durante o acompanhamento.

A adesão também entra nessa equação. Não basta que uma estratégia funcione biologicamente se o paciente não consegue incorporá-la à própria rotina.

Perda de massa muscular merece atenção
Outro ponto que passou a ganhar destaque diante do avanço dos tratamentos para perda de peso é a composição corporal.

Durante um processo de emagrecimento, a preocupação não deve estar apenas em quantos quilos foram eliminados, mas também na qualidade dessa perda.

A preservação da massa muscular é um dos aspectos que precisam ser acompanhados, especialmente quando ocorre uma redução significativa do peso.

É por isso que estratégias nutricionais, prática adequada de exercícios e acompanhamento da composição corporal podem fazer parte da abordagem, de acordo com as necessidades de cada paciente.

A velocidade do emagrecimento, portanto, não deveria ser o único indicador utilizado para avaliar o resultado de um tratamento.

Por que alguns pacientes abandonam o tratamento?
Existe ainda uma dimensão menos visível na obesidade: o comportamento.

Uma pessoa pode compreender as recomendações recebidas no consultório e, mesmo assim, encontrar dificuldades para transformá-las em hábitos permanentes.

É nesse ponto que entram questões relacionadas à rotina, à alimentação e à maneira como cada indivíduo responde às mudanças propostas.

Na avaliação de Dra. Sarina, compreender essas barreiras é importante porque a obesidade exige acompanhamento de longo prazo. Estratégias excessivamente rígidas ou desconectadas da realidade do paciente podem dificultar a continuidade.

Por isso, a especialista defende uma abordagem que também considere aspectos neurocomportamentais durante o acompanhamento.

Mais medicamentos também exigem mais conhecimento
A ampliação das opções farmacológicas disponíveis criou novas possibilidades para médicos e pacientes, mas também aumentou a necessidade de atualização profissional.

Saber que determinado medicamento promove perda de peso não é suficiente para definir, sozinho, como cada pessoa deve ser tratada.

Avaliação clínica e laboratorial, indicação adequada, acompanhamento dos resultados e identificação de possíveis riscos continuam fazendo parte da decisão médica.

Para Dra. Sarina, o cenário atual exige que os profissionais compreendam tanto a farmacologia quanto os demais fatores envolvidos na obesidade.

É justamente sobre essa integração que a médica pretende discutir na Imersão SariDoctors em Tratamento da Obesidade, formação presencial destinada exclusivamente a médicos com CRM ativo, marcada para os dias 23, 24 e 25 de setembro, em Alphaville, São Paulo.

A programação reúne temas relacionados a metabolismo, mecanismos hormonais e fisiológicos do ganho de peso, terapias farmacológicas, nutrição, preservação de massa muscular e estratégias neurocomportamentais, além da discussão de casos clínicos.

Entre os conteúdos está o Plano de Tratamento da Neuro-obesogênese, desenvolvido pela médica para integrar aspectos metabólicos, farmacológicos e comportamentais no acompanhamento.

O desafio começa depois dos primeiros resultados
Para quem acompanha o tratamento da obesidade, uma das questões centrais não está apenas em conseguir uma resposta inicial, mas em construir condições para que o paciente mantenha o acompanhamento e os cuidados necessários ao longo do tempo.

É justamente aí que a popularização das canetas emagrecedoras abre uma discussão maior.

Os medicamentos ampliaram as possibilidades terapêuticas, mas não eliminaram a complexidade da obesidade. Alimentação, composição corporal, metabolismo, comportamento e acompanhamento profissional continuam fazendo parte de uma doença que não pode ser resumida apenas ao número mostrado pela balança.

Para Dra. Sarina Occhipinti, a evolução do tratamento passa justamente por essa mudança de perspectiva: usar os avanços farmacológicos sem perder de vista o paciente como um todo.

Serviço
Imersão SariDoctors em Tratamento da Obesidade
Datas: 23, 24 e 25 de setembro de 2026
Local: Alphaville, São Paulo
Formato: presencial
Público: exclusivo para médicos com CRM ativo

Fonte: SAUDE.IG.COM.BR

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