Com Elon Musk no páreo, internet via satélite deve crescer no Brasil

Steve Jurvetson/Flickr Elon Musk, dono da SpaceX

A disputa pelo mercado da economia espacial, que acirrou nos últimos meses uma corrida entre bilionários pela estreia do turismo fora da Terratambém alimenta outro negócio lucrativo: o mercado de internet via satélite.

Relatório do Morgan Stanley estima que a indústria espacial global já vale cerca de US$ 350 bilhões e poderá ultrapassar US$1 trilhão em 2040. A internet via satélite, que até 2016 não marcava presença nessa economia, será responsável por ao menos 40% da expansão do mercado.

E há espaço para o Brasil. Enquanto as operadoras de telefonia disputam o 5G no país, as de satélite têm ampliado seus investimentos para aumentar a oferta de internet por esse meio, buscando acelerar a velocidade do serviço.

As apostas no mercado brasileiro de internet via satélite têm abertura tanto para uso de tecnologias desenvolvidas recentemente, como a de constelações de órbita baixa — cujos satélites ficam em órbita a até 2 mil quilômetros de altitude —, quanto para o aprimoramento de outras existentes, como é o caso dos satélites geoestacionários, que ficam fixos a uma altitude média de 35 mil quilômetros.

Aposta no país

A Starlink, do bilionário Elon Musk,  foi autorizada ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a operar no país. O empresário era considerado o mais à frente da disputa.

O projeto Starlink prevê levar 42 mil satélites para a órbita da Terra, sendo que 1,8 mil já foram enviados. O objetivo é oferecer internet de alta velocidade a regiões onde a fibra óptica, mesmo com o advento do 5G, não deve ser alcançada pelo custo de infraestrutura.

Pedro Pallota, divulgador científico do canal Space Orbit, lembra que a empresa de Musk já tem contratos com o governo americano por meio do projeto Starlink, para transferência de dados militares.

Ele avalia que a entrada de empresas como a de Musk deve melhorar a oferta de internet em áreas remotas, já que a companhia usa satélites de órbita baixa, capazes de reduzir a latência (tempo de resposta) na transmissão de dados. “O Brasil é um país continental, e muitas regiões não têm acesso à internet. É um mercado interessante para a empresa”, diz Pallota.

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Julian Portillo, engenheiro de telecomunicações e pesquisador do Mackenzie, vê espaço para crescimento da oferta de internet via satélite mesmo com a chegada do 5G.

“Não precisa ir muito longe, basta ir para depois do Recreio [Zona Oeste do Rio]. Regiões periféricas podem usar internet via satélite. Se a pessoa mora nessa região, pode comprar celular com (compatibilidade para a rede) 5G e usar no Centro, mas quando chegar em casa não vai pegar. Pode usar internet via satélite”, afirma.

Empresas que já atuam com internet via satélite no país ampliam investimentos. A Via Sat, que atua no país desde 2017 fornecendo infraestrutura e rede terrestre para Telebras, em 2020 iniciou operação comercial a clientes residenciais e pequenas e médias empresas. A companhia tem investido em uma nova constelação de satélites geoestacionários, o ViaSat-3.

A expectativa é que a constelação ganhe três novos satélites, com capacidade de 1Tbps (Terabit por segundo) cada e com velocidades superiores a 100 Mbps (megabits por segundo).

“A previsão de lançamento do primeiro satélite é para 2022, cobrindo todas as Américas, incluindo o Brasil. Temos notado demanda muito forte de locais sem opção de conectividade e essa é uma realidade em diversas áreas do país”, diz Leandro Gaunszer, diretor geral da Viasat Brasil.

A Hughes do Brasil, prestadora de banda larga via satélite, viu a demanda crescer durante o período mais crítico da pandemia. Agora, a multinacional foca em dois planos. O satélite Júpiter 3, que será lançado no segundo semestre de 2022, será o quarto satélite geoestacionário com capacidade de transmissão de dados sobre o Brasil, além de iluminar Canadá, EUA, México e outros.

“A gente acha que o futuro é um misto de satélites geoestacionários com satélites em baixa órbita. Por isso, também estamos investindo em um modelo, ainda em laboratório, em que um único terminal na casa do cliente vai acessar os dois sistemas (geoestacionário e baixa órbita)”, diz Rafael Guimarães, presidente da Hughes do Brasil.

Fonte: TECNOLOGIA.IG.COM.BR