Reprodução/YoutubeJéssica Moreira: a ancestralidade e a firmeza permanente
A jornalista Jéssica Moreira trouxe para o Inteligência Orgânica, uma reflexão profunda sobre o poder das redes de apoio coletivas nas periferias e o papel transformador do jornalismo comunitário. Criada por uma verdadeira comunidade em Perus, zona noroeste de São Paulo, ela resgata a histórica greve dos “queixadas”(1958-1969) — a mais longa do país — para explicar o conceito de firmeza permanente: a prática da não-violência ativa que exige integridade tanto nas frentes de batalha quanto no ambiente doméstico.
Co-fundadora da Agência Mural e do coletivo Nós, Mulheres da Periferia, que celebra 12 anos de existência, Jéssica defende a transição da mera transmissão de dados efêmeros para a produção de narrativas longas com densidade profunda, enxergando na literatura e no jornalismo literário ferramentas cruciais de conexão real contra o isolamento provocado pela Matrix digital.
Jéssica relembra o impacto do documentário Carolinas, no qual capturou os sonhos de mais de 100 mulheres periféricas, contrastando a pureza de uma jovem que desejava ser astronauta com o preconceito velado de classes mais abastadas que riam de sua ambição.
O ponto mais doloroso de sua trajetória, no entanto, é o contato com o “luto infinito” das mães que perderam seus filhos para a violência de Estado — uma realidade brutal em que a dor se recusa a passar, mas encontra um sopro de sobrevivência quando compartilhada coletivamente.
Rejeitando a romantização da pobreza, ela evoca a pedagogia de Paulo Freire para lembrar que o verdadeiro conhecimento nasce de ler o mundo antes de ler a palavra, afirmando que uma cidade só se torna verdadeiramente boa quando for digna e acolhedora para uma mulher negra, para um idoso e para uma criança.
Quer se conectar com essas histórias reais de luta, escrita e resiliência periférica? Assista ao vídeo completo no YouTube.
Fonte: TECNOLOGIA.IG.COM.BR

