Freepik/reproduçãoClareamento íntimo: você conhece os riscos do procedimento?
A procura por procedimentos de clareamento da região íntima tem aumentado no Brasil, impulsionada principalmente pela popularização de conteúdos nas redes sociais.
O que antes era um tema restrito aos consultórios passou a ganhar espaço entre influenciadores e criadores de conteúdo, despertando o interesse de pessoas que buscam alterações estéticas na pigmentação da pele.
Dados do Google Trends mostram que as buscas por termos relacionados ao clareamento íntimo cresceram nos últimos anos. O interesse registrou um salto durante a pandemia e permanece em níveis elevados, refletindo uma demanda cada vez maior por esse tipo de procedimento.
Apesar da popularidade, especialistas reforçam que técnicas como o uso de laser de CO₂ e peelings químicos não estão livres de riscos, principalmente quando realizadas sem avaliação médica ou por profissionais sem qualificação.
Região exige cuidados específicos
A pele da região genital e perianal possui características diferentes das demais partes do corpo. Por ser mais fina, sensível e altamente vascularizada, ela pode sofrer lesões importantes quando submetida a procedimentos inadequados.
Entre as possíveis complicações estão queimaduras provocadas pelo calor do laser ou pela aplicação incorreta de substâncias químicas. Além da dor, esses ferimentos costumam exigir tratamentos prolongados e acompanhamento médico.
Outro risco é o aumento da probabilidade de infecções. Como a barreira de proteção da pele pode ser comprometida, bactérias e fungos encontram maior facilidade para se desenvolver na região.
A médica e professora da pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, Thaís Barcellos, ressalta que uma avaliação criteriosa e a indicação adequada devem sempre anteceder qualquer procedimento.
Em regiões de alta sensibilidade como a íntima, qualquer procedimento precisa de uma indicação clínica muito bem definida. Quando feito sem avaliação adequada, por profissionais não habilitados ou em locais sem a estrutura sanitária correta, o risco de infecções graves e complicações de difícil manejo aumenta significativamente.
Manchas podem piorar após o procedimento
Além das infecções, intervenções mal executadas podem deixar cicatrizes permanentes e provocar o chamado efeito rebote. Em vez de clarear a pele, o processo inflamatório pode estimular a produção de melanina, fazendo com que a região fique ainda mais escura.
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Também existe o risco de comprometimento dos nervos locais. Em situações mais graves, podem ocorrer alterações de sensibilidade, dores persistentes e até prejuízos funcionais.
Segundo o médico e professor da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, Raphael Fernandes, a anatomia da região exige conhecimento específico.
A região anal possui uma complexidade anatômica e funcional extremamente delicada. Procedimentos estéticos sem indicação precisa e feitos às cegas podem gerar alterações neurológicas de sensibilidade, dor persistente durante as atividades diárias e até incontinência em casos extremos. O impacto na qualidade de vida do paciente é devastador, tornando a avaliação de um especialista indispensável.
Padrões estéticos podem influenciar decisões
Os especialistas também chamam atenção para os impactos emocionais associados à busca pelo clareamento íntimo. A pigmentação naturalmente mais escura da região genital faz parte da anatomia humana e não representa qualquer problema de saúde.
Segundo os médicos, a pressão por atingir um padrão estético visto em redes sociais, filtros e conteúdos pornográficos pode levar à insatisfação com o próprio corpo e favorecer quadros de dismorfia corporal, condição em que a pessoa desenvolve uma percepção distorcida da própria aparência.
Por isso, antes de recorrer a qualquer procedimento, a recomendação é buscar avaliação médica individualizada para entender se há indicação clínica, conhecer os possíveis riscos e alinhar as expectativas aos limites naturais do organismo.
Fonte: DELAS.IG.COM.BR

