David Grandmougin/UnsplashImagens enviadas por usuários do Pokémon Go viraram base para inteligência artificial
Milhões de jogadores de Pokémon Go ajudaram a criar uma tecnologia de inteligência artificial (IA) que agora ajuda drones e robôs de entrega a se localizarem com precisão, mesmo em lugares sem cobertura de GPS. As informações são do portal Ars Technica.
A tecnologia foi treinada com cerca de 30 bilhões de imagens de lugares reais, registradas principalmente por jogadores de Pokémon Go e usuários do aplicativo Scaniverse.
Esse sistema combina a localização por imagens da Niantic Spatial com o software Raptor, da Vantor, para ajudar drones, robôs e outros equipamentos a identificar sua localização e navegar com precisão, mesmo sem o sinal de GPS.
A parceria começou depois da criação da Niantic Spatial como uma empresa independente, em maio de 2025. Na mesma época, a Niantic vendeu seus jogos licenciados, incluindo Pokémon Go, para a Scopely, empresa controlada por investidores da Arábia Saudita.
Nathan Dumlao/UnsplashTecnologia treinada com dados do Pokémon Go hoje auxilia tecnologia sem GPS
Imagens enviadas pelos usuários
Segundo a Niantic Spatial, as imagens usadas para treinar a IA foram feitas com escaneamentos voluntários de usuários do jogo em lugares públicos. Essas imagens mostravam os mesmos ambientes em diferentes horários, ângulos, condições de iluminação e situações climáticas. Além das fotos, os arquivos também incluíam informações sobre a posição e a direção dos celulares durante a captura.
A empresa afirmou que apenas jogar Pokémon Go não ajudava o treinamento do sistema. Para isso, era preciso escolher usar a ferramenta de escaneamento do aplicativo. O recurso foi removido do jogo em março de 2026.
A Niantic Spatial ainda disse que o uso dessas informações para aprimorar suas tecnologias já era informado aos usuários desde 2019 nas políticas de privacidade e comunicados públicos.
Tecnologia dispensa GPS
O sistema usa IA para criar uma referência de localização que pode ser usada por vários dispositivos.
No chão, o sistema da Niantic Spatial compara as imagens captadas por câmeras com uma representação 3D do ambiente para identificar a posição do usuário ou do equipamento.
No ar, a Vantor faz um processo parecido, usando imagens e modelos digitais do terreno. Assim, um drone e uma pessoa no chão conseguem compartilhar informações de localização mesmo sem acesso ao GPS.
Reprodução/Niantic SpatialNiantic Spatial e Coco Robotics fizeram uma parceria para usar a tecnologia de localização em entregas autônomas
Além da parceria com a Vantor, a Niantic Spatial anunciou em março de 2026 uma parceria com a Coco Robotics para usar a mesma tecnologia para ajudar robôs de entrega a andarem pelas ruas das cidades com mais autonomia.
Durante a conferência Defence Geospatial Intelligence, realizada em Londres em fevereiro de 2026, Tory Smith, diretor de gerenciamento de produtos da Niantic Spatial, apresentou resultados preliminares dos testes do sistema integrado. Segundo ele, os experimentos diminuíram em cerca de 70% os erros de localização e chegaram a uma precisão de até 1,5 metro.
Controvérsia com os possíveis usos
Em entrevista ao jornal holandês Trouw, o professor de ética e tecnologia Jeroen van den Hoven afirmou que o grande volume de escaneamentos enviados pelos usuários acelerou muito a evolução do sistema.
Mesmo que a contribuição de cada jogador tenha sido pequena, van den Hoven disse que ela acabou ajudando no avanço de tecnologias que podem ser utilizadas em aplicações militares.
A Vantor, anteriormente chamada Maxar Intelligence, mantém contratos com órgãos do governo dos Estados Unidos, incluindo áreas ligadas à inteligência geográfica, às Forças Armadas e à segurança interna, segundo o portal Ars Technica.
Ambas as empresas, Niantic Spatial e Vantor, afirmaram ao Ars Technica que não utilizam dados do Pokémon Go no acordo.
Fonte: TECNOLOGIA.IG.COM.BR

